ESTUDAR PARA QUÊ?

22 de Agosto de 2026

Ano 20  Artigo 33 Número Sequencial 1.096   16 Agosto 2026


Saudações, estimado Irmão!

ESTUDAR PARA QUÊ?

 

Semanas atrás, um Irmão postou em grupo de WhatsApp uma imagem com a célebre frase de Montesquieu: “É preciso estudar muito para saber um pouco”. Decerto, com o belo intuito de motivar os Irmãos a estudarem.

A insignificância do Irmão Quirino, ante a notória sapiência e o legado deixado pelo Barão de Montesquieu, é imensa. Todavia, atrevo-me a provocar os leitores, discordando dessa tese, correndo o risco de, sem intensão, ofender algum Irmão. Entretanto, Maçonaria é Maçonaria, e Mundo Profano é Mundo Profano.

Então, minha contratese a “É preciso estudar muito para saber um pouco” resume-se em:
 

ESTUDAR POUCO, PRATICAR MUITO
E POUCO SE IMPORTAR COM O MUITO QUE HÁ DE APRENDER.


Essa possível blasfêmia instrucional veio-me à tona com a observação da quantidade de materiais maçônicos disponibilizados nas mais diversas formas de comunicação. E se assim se apresentam é por haver público para tal. Logo, temos dois grupos: os que produzem os materiais e os que consomem.

Quanto ao grupo que produz, é o mais eclético possível dentro da sociedade em que vivemos. De sábios a loucos, do espectro de fascistas a anarquistas, de iniciados àqueles que convivem com Maçons, os quais, creio que por osmose ou telha furada, adquiriram quixotescos conhecimentos maçônicos, muitas vezes questionando o aclive da subida e expondo de forma despudorada seus “conhecimentos” em defesa de seus interesse$. Contudo, uma coisa é certa: não obrigam ninguém a acompanhá-los, e todos nós somos livres e de bons costumes, tendo a compreensão de que “tudo posso, mas nem tudo me convém”.

O foco do artigo, porém, são os verdadeiros Irmãos Maçons que aspiram ao conhecimento. Isso por eles se tornarem, o que em âmbito simbólico chamamos de Pedra Polida. Embora seja salutar esse desejo, permitam-me o alerta:

NÃO É O CONHECIMENTO QUE NOS TORNA APTOS A CUMPRIR UMA MISSÃO.
É PELA PRÁTICA DO CONHECIMENTO QUE A MISSÃO É CUMPRIDA.


Para ilustrar, pergunto: quem leu um dicionário de alemão poderá dizer que fala alemão?

O acesso à informação não é o aprendizado, porque compreender algo de verdade leva tempo e necessita de pré-requisitos. O luto, por exemplo, é algo vivencial e nunca será igual ao conteúdo de livros, palestras ou podcasts. Portanto, amado Irmão, não se preocupe em acumular muitos dados. Pratique o que já sabe, isso lhe garantirá não permanecer na ignorância e não enveredar pela arrogância.

Como a Maçonaria é uma Ordem de Moral e Ética, a prática do aprendizado é mais importante do que a aspiração ao aprendizado. O estudante maçônico é a concretização da origem latina da palavra studium, a qual designa o ato de “estar ocupado com algo; aplicação, zelo, cuidado, ansioso por fazer algo”. De studere, “ser diligente”.

O filósofo Sócrates teria dito: “Só sei que nada sei, e o fato de saber isso me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa”.

Com certeza, se fosse Maçom, teria ensinado: só pratico o pouco que sei, e essa prática me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que muito sabem e coisa alguma praticam.
 

Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
 

Salamaleico - Robur et Furor

Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club

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