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Saudações, estimado Irmão!
ESTUDAR PARA QUÊ?
Semanas atrás, um Irmão postou em grupo de WhatsApp uma imagem com a célebre frase de Montesquieu: “É preciso estudar muito para saber um pouco”. Decerto, com o belo intuito de motivar os Irmãos a estudarem.
A insignificância do Irmão Quirino, ante a notória sapiência e o legado deixado pelo Barão de Montesquieu, é imensa. Todavia, atrevo-me a provocar os leitores, discordando dessa tese, correndo o risco de, sem intensão, ofender algum Irmão. Entretanto, Maçonaria é Maçonaria, e Mundo Profano é Mundo Profano.
Então, minha contratese a “É preciso estudar muito para saber um pouco” resume-se em:
ESTUDAR POUCO, PRATICAR MUITO
E POUCO SE IMPORTAR COM O MUITO QUE HÁ DE APRENDER.
Essa possível blasfêmia instrucional veio-me à tona com a observação da quantidade de materiais maçônicos disponibilizados nas mais diversas formas de comunicação. E se assim se apresentam é por haver público para tal. Logo, temos dois grupos: os que produzem os materiais e os que consomem.
Quanto ao grupo que produz, é o mais eclético possível dentro da sociedade em que vivemos. De sábios a loucos, do espectro de fascistas a anarquistas, de iniciados àqueles que convivem com Maçons, os quais, creio que por osmose ou telha furada, adquiriram quixotescos conhecimentos maçônicos, muitas vezes questionando o aclive da subida e expondo de forma despudorada seus “conhecimentos” em defesa de seus interesse$. Contudo, uma coisa é certa: não obrigam ninguém a acompanhá-los, e todos nós somos livres e de bons costumes, tendo a compreensão de que “tudo posso, mas nem tudo me convém”.
O foco do artigo, porém, são os verdadeiros Irmãos Maçons que aspiram ao conhecimento. Isso por eles se tornarem, o que em âmbito simbólico chamamos de Pedra Polida. Embora seja salutar esse desejo, permitam-me o alerta:
NÃO É O CONHECIMENTO QUE NOS TORNA APTOS A CUMPRIR UMA MISSÃO.
É PELA PRÁTICA DO CONHECIMENTO QUE A MISSÃO É CUMPRIDA.
Para ilustrar, pergunto: quem leu um dicionário de alemão poderá dizer que fala alemão?
O acesso à informação não é o aprendizado, porque compreender algo de verdade leva tempo e necessita de pré-requisitos. O luto, por exemplo, é algo vivencial e nunca será igual ao conteúdo de livros, palestras ou podcasts. Portanto, amado Irmão, não se preocupe em acumular muitos dados. Pratique o que já sabe, isso lhe garantirá não permanecer na ignorância e não enveredar pela arrogância.
Como a Maçonaria é uma Ordem de Moral e Ética, a prática do aprendizado é mais importante do que a aspiração ao aprendizado. O estudante maçônico é a concretização da origem latina da palavra studium, a qual designa o ato de “estar ocupado com algo; aplicação, zelo, cuidado, ansioso por fazer algo”. De studere, “ser diligente”.
O filósofo Sócrates teria dito: “Só sei que nada sei, e o fato de saber isso me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa”.
Com certeza, se fosse Maçom, teria ensinado: só pratico o pouco que sei, e essa prática me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que muito sabem e coisa alguma praticam.
Duas décadas de compartilhamento do que aprendi com o único propósito de ofertar às Lojas material para o QUARTO DE HORA DE ESTUDO, ATIVIDADE OBRIGATÓRIA DE UMA LOJA MAÇÔNICA, e também uma salutar provocação dominical aos amados Irmãos. São artigos curtos e objetivos, a fim de dar espaço à pesquisa, entre o pouco que sei e o muito que desejo que os Irmãos se aprofundem sobre os temas.
Salamaleico - Robur et Furor
Fraternalmente
Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club
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